Bastidores histórias

+BASTIDORES – histórias

Marcamos o encontro com Roberto Rackin na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, no lugar conhecido como “Beco do Batman”. O beco é uma espécie de exposição de grafites a céu aberto, plasticamente um cenário excelente para fotos. Por isso mesmo o local virou atração turística, com ônibus despejando turistas a cada meia hora. Isso nos obrigou a procurar alternativas, o que não foi tão difícil: a Vila Madalena é pródiga em escadarias e cenários fotogênicos. No último retrato de Roberto pedimos autorização para utilizar o salão desse simpático bar. A dona, uma senhora tão simpática quanto, acedeu com um sorriso. Roberto é o mais jovem personagem do livro – pouco antes da entrevista havia completado 18 anos. Por isso está no capítulo sobre gerações. Sua história é impressionante: nasceu com um defeito nos pés que teoricamente o impediria de caminhar normalmente. Superou a deficiência e, em 2017, foi o vencedor de uma competição de dança contemporânea na Alemanha. Detalhe: a viagem foi paga pelos pais – uma professora e um policial militar (na foto o pai está segurando o pano que serve de fundo para o retrato feito pelo Fernando Martinho). São histórias como a de Roberto que nos faz ter orgulho e prazer de fazer o ‘Diversos”. 

Roberto Rackin

“Vocês têm Instagram?” É a primeira pergunta que Ariel Goldenberg nos faz. O ator de 37 anos, que é perfilado no capítulo “Nós Somos Assim”, ganhou projeção nacional ao protagonizar o filme “Colegas”, ao lado da ex-mulher Rita Pokk e Breno Viola, todos portadores da síndrome de Down. No amplo apartamento em que mora com a mãe, no bairro do Sumaré, uma bateria repousa no meio da sala. Ele conta que é fã do Roger Taylor e já estudou um pouco do instrumento. Hoje não toca mais. Sua vida agora é dedicada ao teatro e ao cinema e a participar de ações que ajudem na inclusão das pessoas com Down – a mais recente foi durante a campanha Criança Esperança, em julho. Ao final do encontro trocamos nossos endereços de Instagram.

– Ariel Goldenberg

Conhecemos o Duke quando fomos encontrar Marina Guimarães no estúdio em que ela ensaia, na Vila Mariana, bairro da zona sul de São Paulo. Marina é bailarina e ficou conhecida nacionalmente ao dançar na abertura dos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012. Duke nasceu há cinco anos em Palm Springs, Califórnia, numa ninhada de nove filhotes. Quando completaram um ano, Duke e seus irmãos e irmãs fizeram um teste vocacional – uns foram para o departamento de polícia, outros para o de bombeiros. Duke e Spirit, um dos irmãos, tiveram outro destino: foram “estudar” na Guide Dog of The Desert, uma escola para cães-guias em Whitewater, próximo a Palm Springs. Há três anos Duke se tornou o companheiro de Marina. Ao ver os dois juntos, logo se percebe que Duke não é apenas o cão-guia da bailarina. Ele observa cada movimento de Marina com um olhar reverente e atento. Ela diz que sua vida mudou completamente quando Duke chegou – tornou-se em parte os seus olhos, a sua segurança e principalmente seu mais fiel e constante amigo. Amigo de verdade. Há poucos meses Marina soube que Spirit estava morando no Rio e combinou um reencontro entre os irmãos. Para surpresa de todos, Duke e Spirit lembraram um do outro e brincaram a tarde inteira. “Não é Duke?”, ela pergunta com voz carinhosa. E, como uma criança feliz, Duke vem correndo para seus braços

– Duque